Visão Turim
Um encontro mensal com nosso time sobre mercados e estratégias
O Visão Turim de setembro reuniu Fernando Verboonen (Sócio e Co-CIO), Guilherme Ferraioli (Sócio e Co-CIO), Henrique Santos (Sócio e Head Portfolio Manager) e Carolina Assis (Head de Investimentos Ilíquidos) para discutir a evolução do cenário global, os sinais mais recentes de inflação e atividade nos Estados Unidos, os desdobramentos da política monetária e os principais desafios para a economia brasileira em meio à aproximação das eleições.
Destaques:
• Cenário global: o forte ciclo de investimentos em inteligência artificial segue sustentando o crescimento, com aceleração das receitas e dos lucros das empresas ligadas ao setor. Ao mesmo tempo, o aumento expressivo dos investimentos em infraestrutura e a maior necessidade de financiamento trazem novos riscos relacionados à oferta de energia, regulação e capacidade de monetização desses investimentos.
• Estados Unidos: os dados de inflação e mercado de trabalho ainda apontam para uma redução gradual das pressões inflacionárias, apesar da surpresa no último relatório do Payroll. A convergência para a meta, no entanto, segue ocorrendo de forma lenta. Nesse contexto, a comunicação do Fed permanece no centro das atenções, com o mercado precificando cerca de 60% de probabilidade de uma nova alta de juros já neste mês, embora não se antecipe um ciclo prolongado de aperto monetário.
• Brasil: o consumo das famílias vem apresentando sinais mais claros de desaceleração, em um ambiente de juros elevados, moderação preliminar da massa de renda e maior comprometimento do orçamento familiar. Esse movimento reforça os efeitos da política monetária sobre a atividade, mas os riscos fiscais e a possibilidade de novos estímulos seguem limitando o espaço para uma redução mais expressiva dos juros.
• Mercados globais: após a forte correção observada em julho, ativos ligados à inteligência artificial e semicondutores apresentaram recuperação mais limitada em agosto. Ao mesmo tempo, déficits fiscais elevados, maior oferta de títulos públicos e novas emissões de dívida por empresas de tecnologia seguem pressionando as curvas de juros de longo prazo nas principais economias.
• Mercados locais: a dinâmica recente das pesquisas eleitorais já parece exercer algum efeito sobre o mercado de ações, ajudando a explicar a recuperação observada a partir da segunda metade de agosto. Também chama atenção a resiliência do real, que mantém baixa volatilidade e permanece em patamar relativamente apreciado, a despeito da proximidade do período eleitoral.
